NO VAGAR DA PENUMBRA
10 de Setembro de 2014

De acordo com o China Labour Bulletin, ocorrem no país mensalmente entre 60 e 70 greves, aproximadamente o triplo das que ocorriam em 2011. A diminuição da população activa e o emergir de uma nova geração mais bem informada acerca das leis laborais contribuíram para o crescimento dos salários no sector privado em quase 14% só no ano passado. Em resposta a reivindicações de melhores salários, melhores condições de trabalho e benefícios adicionais, já há empresas a pagar aos funcionários festas de aniversário e idas ao cinema ou ao karaoke. “O equilíbrio de forças alterou-se”, desabafa o director de uma fábrica.

Há aqui, certamente, um manifesto exagero. Uma leitura mais atenta do artigo da Time onde estes factos são narrados (“Workers’ Revenge”) permite concluir que os trabalhadores que pretendem defender os seus direitos enfrentam pressões dos seus superiores e da polícia local, e arriscam, no mínimo, perder o posto de trabalho. Os sindicatos estão agrupados numa federação sindical estatal que tem um currículo pouco brilhante na defesa dos seus associados, e qualquer iniciativa independente é proibida e reprimida. Como escreve o repórter Michael Schuman: “Ironicamente, o Partido Comunista – supostamente o campeão do proletariado – tem medo que o proletariado da China se transforme numa ameaça política, à semelhança do que sucedeu na Polónia dos anos 1980 com o movimento Solidariedade de Lech Walesa”.

Depois de desfeito o tridente operacional camponeses-proletários-intelectuais que iria criar uma sociedade nova, e adoptadas as reformas económicas sintetizadas na fórmula de Deng Xiaoping “um país, dois sistemas”, eis que, ainda que limitados por diversas condicionantes, os trabalhadores chineses parecem preparados para uma nova revolução.

publicado por J.J. Faria Santos às 20:36 link do post
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