NO VAGAR DA PENUMBRA
10 de Maio de 2016

Propagar, espalhar, difundir – eis sinónimos que os dicionários apresentam para o verbo irradiar. E também “expedir raios luminosos”. Passos Coelho, “o primeiro-ministro no exílio”, não chegou ao ponto de equiparar Marcelo Rebelo de Sousa a Kim Jong-un, chamando-lhe “Grande sol do século XXI”, mas sempre foi dizendo que “há uma certa imagem de felicidade que irradia do PR”. Este, na cidade de Roma, contrapôs que “mal fora que o Presidente irradiasse infelicidade, azedume, má disposição com a vida”. Se o relacionamento entre os dois fosse mais distendido, o outrora autoproclamado “o mais africano de todos os candidatos ao Parlamento” poderia ter acompanhado o Presidente a Moçambique, onde nos brindaria com a sua inolvidável voz de tenor num tema (podia ser do Bonga) que servisse de acompanhamento à dança da marrabenta. (“Tenho uma lágrima no canto do olho…”)

 

O espoliado da geringonça declinou estar presente na inauguração do túnel do Marão. E esclareceu que “nunca” inaugurou obras enquanto esteve no Governo. “Nem de estradas, nem de auto-estradas, nem de pontes, nem de coisa nenhuma”, precisou com aquela convicção com que se fazem proclamações supostamente incontestáveis. Acontece que o primeiro-ministro Passos Coelho inaugurou “coisas” tão diversas como uma ponte, uma sede da polícia, um quartel, uma escola superior ou um bloco de rega. E depois de ter saído do Governo, até inaugurou em Lordelo uma escola que já funcionava há três anos. Sejamos compreensivos. Como se sabe, o território da mentira é uma região demarcada geralmente atribuída a outro ex-primeiro-ministro. Deve tratar-se, porventura, de uma severo caso de amnésia. Quanto à ausência do Marão, terá, do ponto de vista dele, sido avisado. Quem sabe o que irradiaria o Costa? Ou o Sócrates?

 

“Os fiéis descreveram um clarão mais intenso do que o sol, que piscava e girava a alta velocidade, quando a Imagem Peregrina deixou a igreja matriz de Ourém”, noticiou o Correio da Manhã. Este novo “milagre do Sol”, descrito por “cerca de uma centena de fiéis”, parece-me um verdadeiro sinal dos tempos. Ainda mais relevante se torna, se a este facto se juntar a afirmação de Luís Montenegro, a propósito das alterações nos contratos de associação com estabelecimentos de ensino particular e cooperativo, de que se trata de um “ataque não assumido” à Igreja Católica. Como se sabe, Fátima está intimamente ligada àquilo que a Congregação para a Doutrina da Fé designa como o “prenúncio dos danos imensos que a Rússia, com a sua defecção da fé cristã e adesão ao totalitarismo comunista, haveria de causar à humanidade.” No Portugal do século XXI, o papel de suporte ao Governo desempenhado pelo PCP, e também pelo Bloco de Esquerda, pode configurar um situação de excepção que justificaria uma nova intervenção, mais evidente e lancinante da Nossa Senhora (depois de nos ter protegido da maré negra do Prestige e da intervenção na sétima avaliação da troika). Teoria mirabolante? Bom, é seguramente mais convincente que a notícia do Inimigo Público que alude a um milagre e à aparição de Marcelo Rebelo de Sousa “escarrapachado numa azinheira a distribuir afectos e a curar os enfermos.”

publicado por J.J. Faria Santos às 20:31 link do post
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