NO VAGAR DA PENUMBRA
30 de Setembro de 2016

 

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1. Qual o político que uma vez mandou um cartão a José António Saraiva (JAS) escrito com uma caligrafia “correspondente a uma 3ª classe mal tirada”?

 

a) Armando Vara

b) Alberto João Jardim

c) Miguel Relvas

 

 

2. Qual a jornalista que graças a uma “arte muito feminina de se insinuar junto dos políticos” obtinha notícias em primeira-mão?

 

a) Maria João Avillez

b) Maria Elisa

c) Felícia Cabrita

 

 

3. Qual o político que confessou a JAS que tinha um problema de controlo de peso porque passava “as noites a comer chocolates”?

 

a) Jaime Gama

b) André Gonçalves Pereira

c) António Guterres

 

 

4. A que ministro é que a secretária de Pinto Balsemão viu o rabo enquanto um enfermeiro lhe aplicava uma injecção?

 

a) Medina Carreira

b)Joaquim Ferreira do Amaral

c) Mira Amaral

 

 

5. Que político disse ao escritor José Cardoso Pires que “quando se viaja com a mulher, gasta-se mais e fode-se menos”?

 

a) João de Deus Pinheiro

b) João Soares

c) Pedro Santana Lopes

 

 

6. Qual o político que cultivava um ar “modernaço” e na companhia de quem, ao almoçar, JAS viu pela primeira vez alguém “comer risotto”?

 

a) José Sócrates

b) Manuel Maria Carrilho

c) Nuno Melo

 

 

7. Qual o jornalista que, por ser tão combativo em todas as situações, num jogo de futebol entre jornalistas quase “ia partindo a perna” a JAS?

 

a) Mário Crespo

b) Ferreira Fernandes

c) Emídio Rangel

 

 

8. Qual a socialite que teve um relacionamento com um político, e que acreditava em “espiritismo e bruxas” e consultava uma “bruxa em Londres”?

 

a) Margarida Prieto

b) Cinha Jardim

c) Lili Caneças

 

 

9. Qual o político/economista que acusou JAS de o criticar nas suas crónicas por causa de “ele lhe ter ganho ao ténis e ao xadrez”?

 

a) Francisco Louçã

b) Vítor Constâncio

c) Ferro Rodrigues

 

 

10. Qual o político que tem um “corpo maciço, quase atarracado”, tem normalmente a mão “sapuda” húmida, nunca aprendeu a conduzir e, porque “foi governante muito cedo”, só perto dos quarenta anos é que “passeou pela primeira vez na Baixa de calças de bombazina”, ou seja, “vestido informalmente”?

 

a) Durão Barroso

b) António Vitorino

c) Marques Mendes

 

 

11. “Diabo! Ia dizer mal do Guterres e mordi a língua…” Que político teve este desabafo enquanto comia cerejas durante um almoço com JAS?

 

a) Pedro Passos Coelho

b) Mário Soares

c) Durão Barroso

 

 

12. Que advogado receou que um embriagado JAS a fazer marcha-atrás numa viatura destruísse um canteiro de flores e gritou: “Cuidado com as minhas rosas!” e, mais tarde, noutra circunstância, se lhe dirigiu por escrito nestes termos: “Só não me indigno porque há muito deixei de o considerar uma pessoa de bem.”?

 

a) Ricardo Sá Fernandes

b) João Araújo

c) Daniel Proença de Carvalho

 

 

SOLUÇÕES: 1/b)  2/a)  3/c)  4/a)  5/a)  6/b)  7/c)  8/b)  9/b)  10/a)  11/b)  12/c)

 

Fonte texto: Eu e os Políticos, de José António Saraiva, edição da Quetzal

Fonte imagem: Bert Christensen

 

publicado por J.J. Faria Santos às 17:20 link do post
27 de Setembro de 2016

Não foi a primeira vez que o papa Francisco se pronunciou vigorosamente contra o jornalismo assente na difamação, no boato ou no mexerico, considerando-o uma forma de “terrorismo”. Num encontro com uma associação de jornalistas italianos, frisou agora que “o jornalismo não se pode transformar numa arma de destruição de pessoas ou povos, ou alimentar medos”. Embora mostrando-se compreensivo com as exigências de um ciclo noticioso de 24 horas por dia, sete dias por semana, o papa não deixou de sublinhar que uma notícia pode “destruir para sempre ou difamar injustamente” uma pessoa. Barbie Latza Nadeau escreve no Daily Beast que ele é “de longe, o papa mais consciente da importância dos media”, o que poderá explicar a insistência no tema e a convicção por ele expressa de que para os meios de comunicação social “nem sempre é fácil chegar à verdade, ou sequer aproximar-se dela”.

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Leio a frase em título – “Quis deixar um contributo para a história.” – e vejo nela a denúncia da ausência da modéstia que se aproxima da megalomania. Mais à frente na entrevista ao Sol acrescenta: “…este livro inaugura um tempo novo. Este livro vai ficar como um clássico da literatura política. E o escândalo que provocou é o escândalo que provocam todas as obras que são grandes gritos de liberdade.” Os sintomas parecem agravar-se: estaremos próximo do delírio ou da mitomania? Fiquemo-nos pela desfaçatez de José António Saraiva que nos quer fazer crer que uma mixórdia de episódios contemplando confidências privadas, desentendimentos públicos, “boletins clínicos minimalistas”, atestados de virilidade, boatos avulsos e considerações entre o ridículo e o grotesco se enquadra na categoria de “literatura política”. Do seu conceito de “gritos de liberdade” nem vale a pena perorar. Ele diz que em Eu e os Políticos há “revelações duras e outras que roçam a violação da privacidade”, e que optou por não revelar os “segredos” cuja revelação produziria “danos” que o interesse público não justificava. Passando por cima do understatement da afirmação acerca da privacidade, é evidente que o maior dano causado pela obra do arquitecto (e autoproclamado aspirante ao Nobel da Literatura…) recai justamente sobre o carácter do autor.

 

José Sócrates diz não admitir que pretendam o seu “banimento da vida pública”, muito menos “uma condenação sem julgamento”. Subscrevo sem reservas. Coisa diferente é a ideia fomentada por meios socialistas de “um processo de reabilitação do ex-primeiro-ministro” ou de uma “rentrée política do animal feroz”. A crítica justificada de um processo errático e interminável, recheado de fugas de informação e decisões discutíveis, não elide a suspeita, nem o comportamento eticamente questionável e no mínimo leviano patente naquilo que Fernanda Câncio apelidou de “relação pecuniária” envolvendo o amigo Carlos Santos Silva. Bem pode José Sócrates ver na divulgação dos seus gastos avultados uma “crítica de costumes” e um “julgamento moral”, mas não pode ignorar o impacto negativo deles no contexto do processo que o envolve. Pode não se sentir diminuído, mas está claramente condicionado. Pode não ser justo, mas é uma evidência. Como o é o facto de mesmo uma ausência de acusação ou uma absolvição não garantirem o resgate da sua carreira política.

 

publicado por J.J. Faria Santos às 12:58 link do post
20 de Setembro de 2016

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O Piegas – Carlos Manuel Lopes Alexandre está convencido de que o querem retirar do cargo que ocupa (“Acredito que me queiram afastar de tudo, deste sítio onde estou a trabalhar agora”); não tem “amigos na magistratura”; receia estar a ser escutado (“não posso falar muito tranquilamente ao telefone”; queixa-se de estar a ser “escrutinado” pela Autoridade Tributária (“Perseguido é uma palavra muito forte”); e já recebeu recados intimidatórios, uns explícitos (“Deves meter-te com gajos do teu tamanho porque precisas do teu ordenado para comer”) outros mais enigmáticos (“se não souberes colar os cromos na caderneta não terás direito a brinde”), mas nunca foi ameaçado fisicamente. Não se tratando da mania da perseguição, presume-se que o juiz terá indícios fortes que justificam estas convicções. Ou então é trauma. É que este magistrado teve uma estagiária que lhe leu a carta astral e disse que ele “tinha sido perseguido pela Inquisição”.

                           

O Humilde – Carlos Manuel Lopes Alexandre diz-se um “cidadão como qualquer outro”. Não se sente “superior a ninguém”. Não tem ambições políticas porque “o sapateiro não deve ir além da chinela”. Só procura o “favor popular” de ser visto como “um profissional honesto e sério” no seu trabalho. Em relação aos casos em que acompanhou a posição do Ministério Público e o desfecho foi a absolvição diz: “não me arrependo, aprendo”. A culpa é da evolução do “material”, da matéria “invalidada” e das “vicissitudes em julgamento”. Admite um “fetiche” por carros, “algum complexo mal resolvido de pobreza de não ter tido carro quando era miúdo”. E assume-se “geométrico e pretensioso” no sentido de ter as “contas certas”. E apresenta-as: um ordenado de 6200 euros brutos, a que se juntam o vencimento da mulher (sensivelmente metade) e rendimentos prediais. Tem “três casas habitáveis”, “dois casebres” e três carros. Deve “meio milhão de euros em créditos à habitação”, em relação aos quais paga prestações que totalizam 3000 euros.

 

O Insinuador – Carlos Manuel Lopes Alexandre, frisando a impossibilidade de comentar casos concretos, declara: “Há pessoas que podem fazer comentários televisivos e em formato papel e depois tomam decisões sobre processos. Eu não.” Como se depreenderá, ele limita-se a dar entrevistas onde tece considerações sobre as contas bancárias e a prodigalidade dos amigos dos arguidos sobre cujos processos delibera. Prometendo que um dia explicará a “história da Autoridade Tributária”, esclarece com toda a clareza e transparência: “Eu quero ser auditado pelos impostos, eu fui auditado pelos impostos, só que não fui auditado pelos impostos.” Instado a opinar acerca de Daniel Proença de Carvalho, diz ter lido “a história toda” dele (?), que qualifica de “riquíssima de conteúdo”, “um ilustre advogado que começou por ser um inspector da Polícia Judiciária”. E assumindo estar a fazer, nas palavras de quem o entrevista, “um contraste com alguém” que não quer identificar, faz questão de dizer que não está “capturado por nenhuma congregação, nem obediência ou grupo”. Nem tem “filhos nas instâncias informais ou formais de controlo”. E remata o recado dizendo: “A quem servir percebe que eu estou atento”.

 

O juiz que não se esconde mas também não anda “à procura de ser notado” já construiu a sua narrativa mediática: se a Operação Marquês for coroada com uma condenação é mais uma medalha para juntar às mais de 90% de decisões por ele tomadas em sede de inquérito que tiveram esse epílogo; se tiver desfecho oposto, a culpa é das vicissitudes do processo pelas quais ele não pode ser responsabilizado porque não participa em todas as fases do processo; e se for afastado, claro, só pode ser porque afrontou os poderosos e a elite judiciária. E o mal triunfaria. Seria a derrota de Kant e o canto de cisne do juiz. A inesperada loquacidade de Carlos Manuel Lopes Alexandre faz-me evocar uma frase de Nietzsche: “Falar muito de si próprio pode também ser uma forma de se esconder de si próprio.”

 

(Os excertos citados foram retirados da entrevista concedida ao Expresso, feita antes da entrevista à SIC e publicada no passado sábado.)

 

publicado por J.J. Faria Santos às 20:12 link do post
13 de Setembro de 2016

Os inimigos de Alex chegaram a deixar-lhe “recuerdos” quando lhe assaltaram a casa. E tornaram-no alvo de escutas, que todavia não o incomodam porque não tem “segredos”. Também não tem “amigos na magistratura” e, se “praticar erros grosseiros, ninguém na magistratura o vai acolitar”. E, por falar em acólitos, na infância encenava homilias, o que talvez se possa relacionar com o facto de encarar o trabalho como uma espécie de sacerdócio. Por não ter “muitos amigos com quem possa refeiçoar”, prefere almoçar em casa com a mulher. “Espartanamente”. Talvez antes de ouvir, no escritório do seu lar doce lar, as escutas que trouxe do seu posto de trabalho.

 

Porque ele farta-se “de trabalhar horas a fio”, aplicando “o direito aos factos” e tomando uma decisão. O ídolo do Correio da Manhã, grande combatente da corrupção, diz que a ideia de que ele é um “super-juiz” é uma “corruptela”, que não encoraja, embora a ache “engraçada”. Simplesmente, precisa de ganhar dinheiro para fazer face aos encargos que tem. Até porque não herdou nenhuma fortuna, nem “tem dinheiros em nome de amigos” nem “contas bancárias em nome de amigos”. Portanto, conclui-se, amigos nem para refeiçoar nem para cravar. E, infelizmente, mesmo o trabalho extraordinário não lhe propicia um “income bruto” muito significativo. Um “income” já muito afectado pelos cortes que começaram com “o senhor engenheiro José Sócrates” (anteriormente conhecido como o senhor José Pinto de Sousa).

 

O juiz Carlos Alexandre, que concentra em si os processos mais complexos e que se sente incomodado com as violações do segredo de justiça, defende a delação premiada e assegura não ser uma pessoa perigosa, porque não usa o poder de “forma malsã” e é um “cultor da lei moral de Kant”. Confessa-se “falível como toda a gente”, e diz não ter ambições políticas, mas um amigo ouvido na reportagem-entrevista da SIC diz que ele é “a reserva moral do regime”.

 

O que levará alguém que é retratado como avesso ao contacto com os jornalistas a conceder uma entrevista deste teor nas vésperas de terminar o prazo para apresentação da acusação da Operação Marquês? E como conciliar o rigor e a sobriedade da magistratura com alusões desnecessárias e acintosas aos dinheiros e às contas bancárias em nome de amigos que não tem?

 

Este episódio hagiográfico, aparentemente destinado a construir um perfil de simplicidade, honradez, imparcialidade e incorruptibilidade, sublinha as fraquezas humanas. Que são a kryptonite do super-juiz. Como interpretar a graçola e a exibição de um poder benévolo? Sintoma de vaidade, tantas vezes o outro lado da modéstia, ou sinal de impotência? Não será Carlos Alexandre o seu pior inimigo?

 

A procissão ainda vai no adro. Por quem os sinos dobrarão? Pelos arguidos condenados, pelo processo mal instruído ou pelo juiz “saloio” e kantiano com “nervos de aço, algodão nos ouvidos e sangue de lagarto”?

 

publicado por J.J. Faria Santos às 20:11 link do post
06 de Setembro de 2016

marcelo_rebelo_de_sousa_tira_selfie_foto_antonio_c                 Fonte: Rádio Renascença (rr.sapo.pt) - Foto de António Cotrim (Lusa)

 

Primeiro, ainda em Junho, foi Vasco Pulido Valente a declarar em entrevista ao Expresso que ao Presidente da República “falta autoridade e visão”, explicando que “a autoridade exige uma certa gravitas e uma certa distância”. E acrescentou: “Ele fala de tudo, mas diz lugares-comuns sobre tudo, incluindo coisas que não sabe”.

No passado sábado, no Público, num artigo sintomaticamente intitulado A (dis)função presidencial, Pacheco Pereira corrobora que Marcelo fala “demais em todos os sentidos” e “banaliza a sua palavra”, censurando também um “estilo demasiado exposto e exibicionista” e notando que ele “vai precisar de alguma gravitas” para “tomar decisões difíceis”.

 

É saudável que uma análise da função presidencial não se deixe toldar pela popularidade estratosférica do Presidente e pelo enlevo acrítico da generalidade da comunicação social. A magistratura dos afectos desenhada por uma espécie de selfie-made man, mais tarde ou mais cedo, vai ser confrontada com as suas limitações. Quando os silêncios, mais do que a verborreia, forem percepcionados como resguardo ou censura implícita. E quando a intervenção em matérias da exclusiva responsabilidade governamental deixar de ser entendida como colaboração para assumir a forma de interferência ou imposição.

 

Lídia Jorge, a propósito da exploração petrolífera no Algarve, escreveu no Público que “Nós não somos um país dramático, somos um país de líricos, aqui não haverá sangue. Aqui tudo terminará em água salgada. Ou na do mar, onde tudo se esquece, ou na dos olhos, a que chamamos lágrimas. Para que essa fatalidade não aconteça, que nos agarremos à força da razão.” É um bom preceito. E de aplicação universal.

Do Presidente em funções (um claro upgrade em relação ao seu antecessor no cargo), que adora o mar e consolar os aflitos, espera-se mais tacto político que facto político, menos frenesim e mais ponderação. Marcelo até pode apreciar o slogan associado ao seu amigo António Guterres, razão e coração, mas seria insensato deixar que, no desempenho do seu cargo, este prevalecesse sobre aquela. Mesmo tratando-se de alguém que ocupa a imprensa cor-de-rosa com o mesmo brilho e eficácia com que põe fontes próximas de Belém a contribuir para a primeira página do Expresso.

 

publicado por J.J. Faria Santos às 20:09 link do post
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