NO VAGAR DA PENUMBRA
27 de Agosto de 2014

 

  1. “Na oposição, Passos Coelho e o seu porta-voz Catroga prometiam que iam acabar com a lógica dos PEC. Ia terminar a austeridade para as empresas e famílias e começar a sério a austeridade para o Estado (…). Ganhas as eleições, Catroga preferiu part-times mais simpáticos e entrou em cena Gaspar como primeiro-ministro em exercício que, ao contrário do prometido, se limitou a aumentar brutalmente impostos, a cortar horizontalmente vencimentos no Estado e pensões do regime contributivo. Para isto não era preciso um Ronaldo da macroeconomia (…).”

 

a)      Mira Amaral

b)      Jerónimo de Sousa

c)      Pacheco Pereira

 

  1. “António Costa representa um novo ciclo no Partido Socialista, com claras hipóteses de vitória e de apelo à própria maioria absoluta.”

 

a)      José Sócrates

b)      Carlos César

c)      Marcelo Rebelo de Sousa

 

  1. “Sei apenas uma coisa: que a justiça portuguesa se transformou, no seu degradante casamento com a imprensa tablóide, num dos piores cancros da democracia. Detém para noticiar, suspeita em público sem provar, dá manchetes sem condenar. Promove em simultâneo o justicialismo e a impunidade.”

 

a)      Miguel Sousa Tavares

b)      Daniel Oliveira

c)      Daniel Proença de Carvalho

 

  1. “Há quem vá a Fátima de autocarro, com pandeiretas e a cantar. Também há escritores que vão aqui e acolá. Nunca tive esse sentido gregário de grupo excursionista”

 

a)      António Lobo Antunes

b)      Francisco José Viegas

c)      Baptista-Bastos

 

  1. “O amor é puro; o sexo é divertido e são; e a reprodução, criminosa. (…) Uma mulher grávida não é apenas um atentado à ética, é também um atentado estético. A maternidade degrada a mulher, transforma-a numa vaca. Que me perdoem as minhas irmãs vacas.”

 

a)      Fernando Vallejo

b)      Michel Houellebecq

c)      Gore Vidal

 

  1. “A televisão portuguesa é como toda a gente sabe (e com raríssimas excepções, que toda a gente também conhece) uma pura miséria, uma máquina de fabricação e sedimentação de iliteracia.”

 

a)      Vasco Pulido Valente

b)      José Gil

c)      João Carlos Espada

 

  1. “Um dia, não há muito tempo, comecei a partir-me aos bocados. Quando me viram de canadianas, as velhotas do meu bairro meteram conversa. Detectei logo, nas suas palavras, uma peculiar mistura de sadismo e compaixão.”

 

a)      Maria Filomena Mónica

b)      Maria João Avillez

c)      Leonor Xavier

 

  1. “Um casal é a coisa mais impenetrável do mundo. Não conseguimos compreender um casal, nem mesmo quando fazemos parte dele.”

 

a)      Oscar Wilde

b)      Philip Roth

c)      Yasmina Reza

 

  1. “(…) nós teremos de aprender, pouco a pouco, que aquilo a que chamamos destino não vem do exterior mas sim de nós próprios. Por não terem absorvido o seu destino quando este exclusivamente lhes pertencia, e por se não terem transformado ao seu contacto, é que tantos homens o não reconhecem no momento em que lhes foge para se realizar.”

 

a)      Jorge Luís Borges

b)      Rainer Maria Rilke

c)      Gustave Flaubert

 

 

 

SOLUÇÕES:         1 - a)  in Expresso, 31.05.2014

                               2 - c)  in Expresso – Revista, 31.05.2014

                               3 – b) in Expresso, 2.08.2014

                               4 – a) in Visão, 18.10.2001

                               5 – a) in Livros, Março/2001

                               6 – b) in “Portugal, Hoje: O Medo de Existir”

                               7 – a) in “A Morte”

                               8 – c) in “Felizes os Felizes”

                               9 – b) in “Cartas a um Jovem Poeta”

publicado por J.J. Faria Santos às 12:50 link do post
20 de Agosto de 2014

LAUREN BACALL (Courtesy of www.bertc.com)

 

“A actriz do olhar insolente”, chamou-lhe o Público, espraiando-lhe o rosto na capa de forma a que ele nos interpelasse. Insolente, sim, mas também directo, intenso, desafiante, com a espessura da sua personalidade. Se estamos habituados a associar às vedetas do star system  de Hollywood atributos como a frivolidade e a superficialidade, temos a consciência imediata das excepções à regra (ou ao preconceito…) que foram, por exemplo, Katharine Hepburn e Lauren Bacall. Com uma carreira cinematográfica que não terá feito justiça ao seu talento (o teatro ter-lhe-á sido mais generoso), Bacall ficará para sempre imortalizada pelo brilhantismo dos diálogos trocados com Humphrey Bogart em Ter e não Ter e, principalmente, À Beira do Abismo, em conversas que mais pareciam duelos cuja arma de escolha seriam as setas de Cupido com elevada propensão para serem fatais para o coração. O jogo do amor, tal como o parecia conceber, era um embate de primeiros entre iguais, em plano de igualdade, em contraste absoluto, portanto, com posturas de ingénua sonhadora ou de sedutora calculista, ambas, à sua maneira, admissões de subalternidade. Intransigente no essencial, não se furtou a apoiar diversas candidaturas políticas, incluindo a de Barack Obama, emitindo opiniões que não reprimiam a contundência, como aquela em que qualificou George W. Bush de “idiota”.

 

Já Robin Williams preferia sublinhar que Bush nos oferecia inúmeros pretextos para a comédia. Como nota Anthony Lane no obituário da New Yorker, ele referiu-se ao antigo Presidente americano como uma “comedy piñata”. Williams, com um talento incomensurável e uma espantosa capacidade de improviso, brilhou de igual modo na comédia e no drama, ora canalizando a sua hiperactividade criativa para gags  e tiradas hilariantes, ora convocando o melancólico e até o sinistro para ilustrar as complexidades da mente humana. A sua predisposição para a improvisação era tal que Lane via nela a demonstração inequívoca de que estava na sua essência ser o inimigo do argumento, do enredo  (“The enemy of plot”). Como no poema de Walt Whitman que está na origem da cena icónica de O Clube dos Poetas Mortos, o Capitão jaz frio e morto no convés do navio, mas nós precisamos que o exemplo de Robin Williams persista na memória dos seus admiradores. Se mais não for, para nos recordar que a criatividade é inalienavelmente subversiva e que nem sempre o utilitário é o mais necessário. A matéria de que os sonhos são feitos ilumina as percepções da realidade.

publicado por J.J. Faria Santos às 16:07 link do post
13 de Agosto de 2014

                                               Imagem: Vintageprintable

                                                                                          

Estava eu posto em sossego, verificando o meu Outlook, quando deparo com um e-mail da Ipsos, assinado por Sylvia van der Waal, convidando-me a participar num inquérito (“Business Elite survey”) que visaria, basicamente, avaliar a utilização de tecnologia e dos meios de comunicação por parte dos empresários e outros profissionais do mundo dos negócios em 36 países.

Passada a estupefacção inicial que a simples associação do meu nome às palavras “negócios” e “elite” provocou, experimentei alguma consternação pelo facto da Sra. van der Waal ter iniciado a mensagem com “Dear Mr.” seguido do meu nome completo. Esporadicamente, recebo correspondência em língua inglesa em que sou tratado por Mr. Dos Santos, o que me dá um ar exótico de plutocrata africano…

Espicaçado pela curiosidade, e confortado pela prometida relativa brevidade (“15 a 20 minutos”), cliquei no link  para aceder ao inquérito. Sim, na última semana acedi pelo menos um dia ao site  do Daily Beast. Sim, na última semana li em formato papel a Time. Sim, utilizei um ecrã de televisão para ver a CNN. Costumo ler blogs dos outros e também postar no meu. A empresa onde trabalho opera exclusivamente em Portugal e não costumo fazer viagens de avião para o exterior.

Foi apenas nas questões finais que o alcance da palavra “elite” se clarificou. Era-me solicitado (embora me fosse dada a opção de não revelar) que enquadrasse num dado intervalo o meu salário bruto anual e também o valor líquido dos meus bens a preços de mercado actuais ( neste último caso, o primeiro escalão tinha como limite 74.000 € e o último escalão destinava-se aos detentores de bens iguais ou superiores a 7.500.000 € ).

Uma outra pergunta propunha doze afirmações, das quais eu deveria escolher todas as que se aplicassem ao meu caso. Felizmente, a última opção (sim, a treze…) era “nenhuma destas”…  É que eu não tenho um “barco / iate”; nem um relógio que “valha entre 1500 €-7499 €”; nem “uma peça de joalharia” de valor igual ou superior a 7.500 €; nem quadros nem antiguidades (o puzzle da Mona Lisa não conta…); nem sequer um “tablet computer” ou um smartphone, ou um cartão de “membro de um health club “…

Lamento sinceramente ter involuntariamente induzido a Sra. van der Waal a descortinar em mim  ( não sei como , nem por que meios) vestígios de “elitismo”. Mas como um dos quesitos do survey  solicitava a indicação da nacionalidade, a senhora pode sempre especular que eu tivera uma brutal exposição ao BES e fora uma das vítimas do “Portugal’s Banking Disaster”…

publicado por J.J. Faria Santos às 20:44 link do post
06 de Agosto de 2014

“Não há dinheiro. Qual das três palavras não percebeu?!”, terá dito, com a veemência mitigada da sua voz quase sussurrada, Vítor Gaspar ao seu colega ministro Álvaro Santos Pereira, com o objectivo de cortar cerce as veleidades de investimento público (que no período 2010-2013 ficou reduzido a quase um quarto). Volvido um par de anos, e ainda a braços com cortes nos salários e nas pensões, restrições na saúde e no acesso às prestações sociais, e com uma dívida pública bruta recorde de 220.696 milhões de euros (132,9% do PIB – dados do Eurostat para o primeiro trimestre/2014), eis que os portugueses vêm quem em tempos agitou o slogan do “país de tanga” anunciar a chegada de “uma pipa de massa”.

 Devemos depreender que já há dinheiro? Agora que a dívida pública é a terceira maior da União Europeia ( a 2,7% do segundo lugar…), que a diminuição da despesa primária do Estado se deveu fundamentalmente à compressão das despesas com o pessoal e das despesas de capital, e que o ajustamento orçamental, mesmo nestas condições, está longe de ser um dado adquirido?

Barroso acena com um pacote de 25.792 milhões de euros. Previne que o dinheiro “deve ser bem aplicado” e decreta o silêncio para “aqueles que dizem que a EU não é solidária com Portugal”. Será preciso recordar que a Comissão Europeia, citando Paul de Grauwe (Expresso, 2.08.2014), patrocinou programas de austeridade que “não só levaram a muita destruição da economia como provocaram o sofrimento de milhões de pessoas”? E que não foi atingido o objectivo de “aumentar a capacidade dos governos para servirem a dívida”?

A tirada populista de Durão Barroso traz-me à memória um excerto de um poema de Sophia: “Com fúria e raiva acuso o demagogo / Que se promove à sombra da palavra / E da palavra faz poder e jogo”. Parece que a família Barroso aprecia Alexandre O’Neill. Sigamos o cherne, “ o peixe recalcado” que circula “em água silenciosa de passado”? Obrigado, mas não. Até porque o seu percurso político faz-me evocar precisamente o título de um outro poema de O’Neill – “ Pretextos para fugir do real” – onde se pode ler: “Assobio às pequenas esperanças / Que vêm lamber-me os dedos / (…) E ao trote do ciúme deito contas / Deito contas à vida.”

 

 

publicado por J.J. Faria Santos às 20:57 link do post
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