NO VAGAR DA PENUMBRA
12 de Junho de 2011

Começou por ser uma série acerca de um escritor que para compensar o seu bloqueio criativo se transformou numa espécie de serial fucker. Depois, evoluiu para uma espécie de comédia sexual para todas as estações, onde o humor serviu para suavizar a exibição desinibida de gostos inconfessáveis. Pelo meio, desfilam os escolhos da paternidade e um estorvo: um sentimento que, mesmo relutantemente, só pode ser amor, ou algo aparentado. Aqui, sexo e amor não se encontram vinculados por um contrato de parceria - vivem da nostalgia da impossibilidade, como se houvesse uma falha, reconhecida e apaziguada, que impedisse a durabilidade de uma relação. Hank Moody e Karen sustentam um relacionamento pouco convencional, no qual a fidelidade resiste à intromissão de outros corpos. Nos episódios que a RTP1 agora exibe, surge como actriz convidada a fabulosa Kathleen Turner, numa personagem larger than life. Turner conserva a sua memorável voz enrouquecida e nem sequer a passagem do tempo (as rugas, o excesso de peso) consegue elidir a força do mito. Há quem se retire para fazer perdurar a beleza dos anos dourados, mas também há quem faça questão de vincar que nenhuma personagem apaga a personalidade de quem lhe dá vida. A autenticidade é também uma forma de beleza.

publicado por J.J. Faria Santos às 16:58 link do post
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